quinta-feira, 7 de março de 2013

MILAGRE DE SANTA LUZIA : CURA DE CÂNCER



ESTE É O MEU CO-IRMÃO DE ORDEM RELIGIOSA MARCOS AUGUSTO, CURADO MILAGROSAMENTE DE CÂNCER POR SANTA LUZIA DE SIRACUSA DEPOIS DA NOVENA PODEROSA QUE EU FIZ A ELA.( TESTEMUNHO DE CURA RELATO PELO VIDENTE MARCOS TADEU)
 ESTÁ CURA GRANDIOSA DE SANTA LUZIA FOI CONCEDIDA NO SANTUÁRIO DAS APARIÇÕES DE JACAREÍ , SÃO PAULO , BRASIL.



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Desde o dia 7 de fevereiro de 1991, há 22 anos, Nosso Senhor Jesus Cristo, Maria Santíssima, São José, o Divino Espírito Santo, os Anjos e os Santos, vem aparecendo diariamente em Jacareí, São Paulo, Brasil, às 18:30hs (hora de Brasília). Ela se apresenta como Rainha e Mensageira da Paz e faz um último apelo à conversão, através de um jovem: Marcos Tadeu, que no início das Aparições tinha 13 anos apenas. São as mais intensas Aparições da história de nosso país, e Maria Santíssima diz que são as últimas Aparições para a Humanidade. A Mãe de Deus pediu que fosse feita todos os dias, às oito horas da noite, a Santa Hora da Paz a fim de que as famílias se convertam e o mundo tenha Paz. Ela prometeu a Sua proteção às famílias que a fizerem todos os dias. Nossa Senhora diz que as Aparições de Jacareí e a de Medjugorje (ex-Iugoslavia) são a continuação e a CONCLUSÃO de Fátima.

segunda-feira, 4 de março de 2013

03.03.2013 - MENSAGEM DE MARIA SANTÍSSIMA - COMUNICADA AO VIDENTE MARCOS TADEU - CAPELA DO SANTUÁRIO DAS APARIÇÕES DE JACAREÍ SP BRASIL

Cenáculo de 03 de março de 2013 - Santuário das Aparições de Jacareí - SP - Brasil



  VÍDEO: APARIÇÃO, MENSAGEM E PALESTRA
 
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JACAREÍ, 03 DE MARÇO DE 2013
CAPELA DO SANTUÁRIO DAS APARIÇÕES DE JACAREÍ - SP - BRASIL
MENSAGEM DE MARIA SANTÍSSIMA  
COMUNICADA AO VIDENTE MARCOS TADEU



(MARCOS): “-Para sempre sejam louvados Jesus, Maria e José! (pausa) Já estou quase terminando ele.(pausa) Sim Senhora, assim será feito sim. Sim... ”
        
    (MARIA SANTÍSSIMA): “-Amados filhos Meus, já estais vos aproximando da Festa da Minha Aparição à Minha Filhinha AMÁLIA AGUIRRE, no ano de 1930 em Campinas, onde vos dei, vos revelei a Coroa das Minhas Lágrimas Benditas. Foi uma Aparição importante, verdadeiramente naquele dia Eu dei um grande Dom do Meu Imaculado Coração para o mundo inteiro, um remédio poderoso e eficaz para ajudar as vossas almas nestes tempos tão infelizes da grande apostasia em que viveis.
         Eu vos dei a Minha Coroa das Lágrimas, o Terço das Minhas Lágrimas para colocar em vossas mãos uma arma potente contra Satanás e os demônios, que assim como Eu havia avisado em LA SALETTE saíram todos dos abismos do inferno para percorrer o mundo inteiro, a fim de arrastar as almas para o pecado e para a perdição eterna. Com a Coroa das Minhas Lágrimas, com o Terço das Minhas Lágrimas, vós tendes em vossas mãos uma arma potentíssima para afastar não somente as possessões diabólicas, as infestações diabólicas e as obsessões satânicas, mas também, todas as tentações, maus desejos e maus pendores que Satanás faz brotar nos vossos corações, nestes tempos de sensualidade, pecado e ódio a Deus e à santa fé católica. Com o Terço das Minhas Lágrimas, vós podeis ser mais fortes que o inferno, podeis resistir a todas as tentações e podeis assim, guardar incólumes, intactas todas as Virtudes dentro da vossa alma e do vosso coração.
         Eu vos dei a Minha Coroa das Lágrimas para nesses tempos infelizes de pecado, sensualidade, concupiscência e vícios, as vossas almas poderem ter nesta potentíssima Oração um remédio salutar, a fim de impedir que o mal dos escândalos, dos maus hábitos, das modas nefandas que agora existem no mundo, entrem no vosso coração, corrompam a vossa retidão moral e espiritual, e, assim, vós possais permanecer sempre invictos, sempre puros e sempre corretos no serviço do Senhor, no serviço ao Meu Coração Imaculado e na luta junto a Mim pela conversão e a salvação do mundo inteiro.
         Aquele que rezar o Terço das Minhas Lágrimas todos os dias não se corromperá, não cederá às fáceis seduções deste mundo, não perderá nunca o tesouro preciosíssimo da moral correta, da fé correta e da obediência perfeita aos Mandamentos de Deus, porque com esta Oração e com merecimentos das Minhas Lágrimas, Eu mesma guardarei esta alma e a preservarei de todo o erro, de todo o pecado.
         Eu vos dei a Coroa das Minhas Lágrimas, para colocar nas vossas mãos um poderosíssimo escudo para defender a vossa fé de tantos ataques que ela sofre todos os dias, principalmente pelos meios de comunicação que entram todos os dias nas vossas casas, manchando a pureza das vossas almas, corrompendo as crianças, os jovens e as famílias e lançando a lama e o veneno de Satanás dentro do vosso lar a fim de destruí-lo e assim Satanás levar toda a sociedade ao caos e à desordem.
         Com o Terço das Minhas Lágrimas vós também sois preservados de todo o tipo de heresia protestante, ou de qualquer outra seita, pois fazendo esta Oração, por meio da qual pedis ao Meu filho Jesus as graças que necessitais pelos merecimentos das Minhas Lágrimas benditas, vós, Meus filhos, Me honrais como a Medianeira de todas as graças, como vossa advogada, como vossa Co-redentora e como a única Porta do Céu por meio da qual todas as graças vem do Céu à Terra e todas as almas também vão da Terra até Deus no Céu. Por isso, com este terço vós reafirmais para vós mesmos e para o mundo inteiro o Meu papel único e singular de Medianeira de todas as Graças, de Co-redentora e de Advogada, honrando as Minhas Lágrimas, as Minhas Dores e tudo o que Eu sofri com o Meu filho Jesus para a vossa salvação.
         Assim, por meio deste Terço, livro-vos sempre mais de todo o erro, de toda a heresia e mantenho a vossa fé católica, a verdadeira fé sempre pura, incólume, intacta e íntegra dentro dos vossos corações e das vossas almas. Assim, peço-vos que rezeis ainda mais o Terço das Minhas Lágrimas, que o divulgueis e o propagueis a todos quanto puderdes, para que a todos os Meus filhos chegue o remédio salutar, a vacina eficassíssima, chegue este meio de salvação tão poderoso que Eu dei à Minha filhinha Amália Aguirre para o vosso século, para o vosso tempo.
         Em verdade Eu vos digo: Não há mal espiritual, moral, físico, familiar ou social que não seja derrotado e destruído pelo poder do Terço das Minhas Lágrimas, pois, as Minhas Lágrimas Benditas tem um merecimento, um valor quase infinito diante do Meu filho Jesus e Ele vendo as Minhas Lágrimas, por amor Mim não pode negar-vos nada. Por isso, filhinhos, rezai o Terço das Minhas Lágrimas com maior amor, colocai nele toda a vossa confiança e esperança e vereis em breve este mundo que transformou-se num pântano venenoso de pecado para as crianças, os jovens e as famílias católicas, este mundo que se transformou num tenebroso e perigoso campo de batalha onde tantos já pereceram por desconhecerem a verdade, por desconhecerem o Meu amor e as Minhas Mensagens.
         Com este Terço vós passareis este exílio, vós caminhareis por este vale de lágrimas incólumes e completamente preservados e protegidos por Mim de todos os males deste tempo e vereis este mundo, que agora é este pântano fatal transformar-se verdadeiramente no jardim de graça e santidade que Eu tanto desejo para vós, com um tempo de paz duradouro para vós, para as famílias e para a humanidade inteira. Em breve pela Coroa de Minhas Lágrimas, pelo Terço de Minhas Lágrimas o Meu Coração Imaculado triunfará.
         A todos, abençoo neste momento e especialmente abençoo este Lugar, onde concluirei aquilo que comecei nas Minhas Aparições em Campinas, Aqui, que é o Santuário das Minhas Lágrimas, que é o Trono das Minhas Lágrimas Benditas, onde Elas são tão glorificadas pela palavra, pelo exemplo, pelo trabalho e pela divulgação do Meu filhinho Marcos, o mais ardente devoto das Minhas Lágrimas Benditas e o Apóstolo mais fiel destas Minhas Lágrimas Maternais.
         Aqui, onde as Minhas Lágrimas são exaltadas pela Trezena que Eu tanto pedi, pela Hora das Minhas Lágrimas, pelas Minhas Mensagens e pela Imagem da Minha Aparição, pela Medalha e pelo Terço que Aqui são tão divulgados e propagados. Aqui, Eu derramo uma benção generosa e também derramo esta benção sobre ti Marcos, o mais ardente Apóstolo das Minhas Lágrimas Benditas e a todos vós, que Me amais que trazeis sobre o coração a Minha Medalha e que rezais o Meu Terço das Lágrimas todos os dias, abençoo agora de LA SALETTE, de SIRACUSA e de JACAREÍ.
         A Paz Meus filhos amados. A Paz a ti Marcos, o mais esforçado dos Meus filhos.”
        
         (MARCOS):  “- Até breve!”


09.03.2012 - 14HS - ORAÇÃO DAS 500 AVE-MARIAS.

10.03.2012 - 9HS -  GRANDE CENÁCULO - FESTA DE NOSSA SENHORA DAS LÁGRIMAS


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Desde o dia 7 de fevereiro de 1991, há 22 anos, Nosso Senhor Jesus Cristo, Maria Santíssima, São José, o Divino Espírito Santo, os Anjos e os Santos, vem aparecendo diariamente em Jacareí, São Paulo, Brasil, às 18:30hs (hora de Brasília). Ela se apresenta como Rainha e Mensageira da Paz e faz um último apelo à conversão, através de um jovem: Marcos Tadeu, que no início das Aparições tinha 13 anos apenas. São as mais intensas Aparições da história de nosso país, e Maria Santíssima diz que são as últimas Aparições para a Humanidade. A Mãe de Deus pediu que fosse feita todos os dias, às oito horas da noite, a Santa Hora da Paz a fim de que as famílias se convertam e o mundo tenha Paz. Ela prometeu a Sua proteção às famílias que a fizerem todos os dias. Nossa Senhora diz que as Aparições de Jacareí e a de Medjugorje (ex-Iugoslavia) são a continuação e a CONCLUSÃO de Fátima.

domingo, 3 de março de 2013

INFÂNCIA DE SÃO GERALDO MAJELLA







CAPÍTULO I
Infância


Na Basilicata, província do reino de Nápoles, nas encostas dos Apeninos ostenta-se em magnífica paisagem a cidadezinha de Muro. Uma série de coli-nas defende-a das tempestades ásperas do Norte, enquanto que ao Sul, se estende ridente e fértil pla-nície. Na época, de que nos ocupamos nesta biogra-fia, contava certa de 7.000 habitantes e era sede de um bispado e residência de respeitável número de religiosos de ambos os sexos. No decorrer dos sécu-los, saíram dessa encantadora cidade homens de valor, que se tornaram glória e adorno dela pelo bri-lho da piedade, fama de erudição e louros colhidos nos campos de batalha. Porém criança alguma lá nascida, se distinguiu tanto e em grau tão extraordi-nário pela santidade e poder taumaturgo como a de cuja vida queremos agora dar um resumo. Essa cri-ança viu a luz do dia a 6 de abril de 1726, sendo bati-zada no mesmo dia na igreja catedral pelo arcipreste Felix Coccicone.
O berço de Geraldo foi modestíssimo. Seus pais, o alfaiate Domingos Majella e Benedicta Gadella, embora ricos dos dons celestiais e acatados por to-dos os conterrâneos pelo brilho de acrisoladas virtu-des, eram destituídos dos bens da terra; com o traba-lho de suas mãos e suor de seu rosto tinham de sus-
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tentar os quatro filhos que Deus lhes dera: Brígida, Anna, Izabel e o nosso Geraldo.
Deus porém tomou a si, com prodigalidade espe-cial, o cuidado do menino, desde o início de sua vida, distinguindo por assim dizer com o selo de suas gra-ças especiais e extraordinárias os primeiros movi-mentos e passos desse anjo terrestre.
Todos compraziam-se em contemplar com ale-gria o seu rosto sempre amável e jovial. As primeiras palavras que balbuciou foram os santíssimos nomes do Redentor e de sua benditíssima Mãe, os primeiros movimentos de suas mãos foram o sinal da cruz so-bre a fronte, os lábios e o peito.
Aos quatro anos praticava os exercícios de pie-dade com compreensão superior a sua idade, não perdendo porém com essa precocidade o encanto de meninice. Não gostava dos brinquedos infantis; todo o seu divertimento consistia em levantar altarzinhos que adornava de flores e imagens, imitando as ceri-mônias da igreja. Aprazia-se em cantar hinos piedo-sos e em genuflectir com alegria infantil ante as ima-gens dos santos da Igreja. Quando conseguia obter restos de cera, a ele fornecidos por um seu parente que exercia o cargo de sacristão da catedral, fabrica-va velas que acendia em seu altarzinho. Às vezes reunia grupos de crianças, com as quais fazia procis-sões, ensinando-lhes, a seguir, orações e lindos cân-ticos.
Essa criança privilegiada amava tanto a oração que podia passar horas a fio a meditar. Repetidas
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vezes encontraram-no a um canto da casa paterna todo absorto em Deus, alheio às coisas da terra e como que a pairar em um mundo superior. Quando se dirigia à igreja em companhia de sua mãe, perma-necia silencioso, modesto e devoto — sempre de joe-lhos — causando a todos admiração e edificação como se fosse um anjo do paraíso. O próprio Deus amava Geraldo, que aos seis anos de idade mereceu receber do céu sinais do agrado divino.
Nas vizinhanças da cidade de Muro acha-se a pequena igreja de Nossa Senhora de Capotignano, muito visitada pelos fieis apesar das dificuldades da estrada pedregosa que para lá conduz. A imagem venerada no altar-mor representa a Santíssima Vir-gem com o Menino Deus nos braços. O pequeno Ge-raldo teve logo conhecimento desse santuário popu-lar e sentiu-se irresistivelmente atraído por ele. Um dia foi Geraldo sozinho até lá para desabafar o seu piedoso coração diante da Mãe de Deus e de seu Filho.
Mal se aprofundara na oração, quando lhe pare-ceu que a criança e a Mãe tomavam vida sobre o al-tar, estendendo-lhe o Menino o braço em atitude de quem convida. Pouco depois, celestemente amável, e com o sorriso nos lábios, desce a brincar com ele. Após curto intervalo entrega-lhe um pãozinho fino e branco como a neve e desaparece. Geraldo satisfeito corre para casa e triunfante mostra à mãe o presente recebido. “Donde tens esse pão?” “Foi, respondeu ele, o filho duma formosa senhora que m’o deu”. A
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mãe desistiu de mais perguntas supondo que Geral-do tivesse recebido o presente do filho de alguma família rica.
A experiência feita não deixou sossegar o meni-no, que daquele dia em diante começou a multiplicar as suas visitas à igreja de Nossa Senhora de Capotignano como que atraído pela Criança dos braços da Virgem; e realmente foi-lhe dado ver repetidas vezes a Criança e receber de suas mãos o presente do pão. Esse fato, repetido tantas vezes, não deixou de despertar a curiosidade da mãe e das irmãs. Um dia de manhã, quando Geraldo se dirigia apressado à igreja, a mãe e a pequena Anna seguiram-no e puderam assim ser testemunhas oculares daquela cena misteriosa e encantadora.
Ao que parece, Geraldo recebeu aquele pãozinho não só do Menino, mas também da Santíssima Virgem — ao menos ele se exprimiu mais tarde, de um modo que deixava entrever isso. Visitando com sua mãe a igreja, apontou a imagem de Maria com o Menino dizendo: “Minha mãe, eis a nobre senhora que mais vezes me deu o pão, e a Criança com a qual brinquei”.
Semelhante graça foi concedida ao pequeno Geraldo também no jardim do arcipreste de Cillis. Es-tando uma vez a orar com um grupo de crianças diante de uma cruz por ele colocada, como de costume, no ramo de uma amendoeira, a copa da árvore tornou-se resplendente irradiando-se a claridade também para fora do jardim. Os outros viram apenas
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o esplendor da árvore, mas Geraldo contemplou, por entre a claridade, a bela Criança divina que baixou por entre os ramos e a ele se dirigiu apresentando-lhe o pão branco, delicioso ao paladar. Ao chegar em casa, como Geraldo não quisesse tomar a refeição costumada, a mãe o recriminou, mas ele explicou o caso com simplicidade dizendo: “Minha mãe, eu já comi, foi o menino que me deu o pão”.
Ao assistir a santa Missa, via Geraldo muitas vezes o Menino Deus, nas mãos do celebrante, admirando-se sempre de o padre quebrar em pedaços e consumir a hóstia. Uma vez chegou a dizer com candura infantil ao sacerdote: “Que bela coisa fizestes... devorastes hoje uma criancinha”.
Naquele tempo Geraldo ainda não sabia bem quem era a criança que vira tantas vezes e que o a-traía com tanta força. Vinte anos mais tarde disse à sua irmã Brígida, com a simplicidade que lhe era peculiar: “Agora sei que a criança que me dava o pãozinho, na minha infância, era o Menino Jesus; naquele tempo eu supunha que fosse uma criança qualquer”. “Então, replicou Brígida gracejando, volte outra vez a Muro para visitar a Madona de Capotignano e encontrar o belo Menino”. “Não, disse Geraldo, agora já não preciso ir a Muro para encontrar a Madona e o Menino; agora os encontro em toda a parte”.
Todos esses sinais evidentes de predileção divina inspiraram aos pais de Geraldo o desejo de dar esmeradíssima educação à criança que haviam recebido de Deus qual tesouro precioso e inestimável.
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Benedita, convencida que seu filho fora formado só para o céu, nada descurou para secundar o desen-volvimento dos germens da virtude em seu coração.
Na idade de sete ou oito anos, Geraldo foi mandado à escola, onde lecionava um parente da família por nome Donato Spicci. Lá aprendeu bem depressa a ler, escrever e expressar-se com facilidade, tornan-do-se em breve tempo o modelo de seus condiscípu-los e predileto do mestre. Spicci denominava-o “suas delícias”, e amava-o com ternura de um pai. Ao perito professor não passou despercebido o talento didático do menino, eis porque quase sempre lhe confiava o encargo de ensinar aos menores os rudimentos das ciências e de repetir com eles a lição.
Geraldo, longe de se ensoberbecer com essas distinções, era sempre o mesmo menino simples e dócil, pronto a obedecer aos mais leve aceno de seus pais. Em virtude de sua admirável comunicação com o céu, desenvolveu-se nele, bem cedo, o desejo da mortificação do corpo e o amor aos pobres; jejuava freqüentemente a pão e água, e tomava tão pouco alimento, que todos se admiravam de ele não definhar de fraqueza; às vezes passava dias inteiros em jejum completo, esquecido da alimentação. Quantas vezes não acontecia a mãe encontrar intacta a comi-da quando voltava do trabalho! Geraldo costumava dar aos pobres as minguadas porções e o pão que a mãe às vezes lhe preparava especialmente. Todavia jamais se recusava tomar alimento quando nesse sentido recebia ordem de seus pais; na mortificação,
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como em tudo o mais, não cedia à teimosia — sinal seguro do bom espírito que o animava. Temia abor-recer a seus pais, e não descansava enquanto não reparasse o mal, caso acontecesse às vezes magoá-los contra a sua vontade e sem culpa sua.
Que Geraldo nutria terníssimo amor para com a SS. Virgem deduz-se facilmente do que temos narra-do até aqui. Já nos é sabido que o santíssimo nome de Maria foi uma das primeiras palavras nos lábios do pequeno protegido do céu. O amor à Mãe de Deus era-lhe, por assim dizer, inato, cresceu-lhe com a idade, e desenvolveu-se em ardente veneração mormente desde o dia em que a Madona de Capo-tignano começou a agir de modo tão atraente sobre a sua alma. A recitação do rosário e outros exercícios de devoção à Rainha do céu tornaram-se-lhe bem depressa familiares e caros; as festas de Maria, para as quais se preparava sempre por diversos exercícios de piedade e atos de mortificação, eram-lhe dias de alegria que transparecia em seu semblante a ponto de causar admiração a todos os seus. Em retorno também a SS. Virgem redobrava as provas sempre crescentes do amor para com seu fiel e dedicado servo. Já em seus mais tenros anos visitou Geraldo, pela primeira vez, Caposele, onde mais tarde, como religioso iria receber de Maria as mais assinaladas graças e onde terminaria a sua carreira. Para lá levou-o sua mãe ou qualquer outro parente em visita ao santuário, no qual Maria é venerada sob o título de Mater Domini, isto é, Mãe do Senhor. A piedosa
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criança lançou-se de joelhos ante a sagrada Imagem e, mal pronunciara as primeiras palavras de saudação à sua Rainha, caiu em profundo êxtase na presença dos circunstantes. Era como se Geraldo estivesse a contemplar a Mãe de Deus em sua formosura celestial. Seria talvez o gozo antecipado das ale-grias e consolações que Maria tem preparado para os seus servos fiéis e perseverantes? Ter-lhe-ia na-quele momento garantido o seu socorro e proteção, com os quais Geraldo contou a sua vida inteira? Não o podemos saber porque o servo de Deus guardava inteira reserva sobre coisas dessa natureza a não ser que a obediência o constrangesse a falar, ou que a sua simplicidade o traísse.


Se a SS. Virgem arrebatava o coração do nosso Geraldo nas mais vivas emoções da alegria e amor, com mais eficiência e em grau maior conseguia-o o SS. Sacramento do altar. Geraldo corria à Missa com mais avidez do que as outras crianças aos seus brinquedos prediletos. À elevação da hóstia inclinava-se e assim permanecia por longo tempo. Quando à co-munhão do sacerdote a sagrada hóstia lhe desaparecia dos olhos, prorrompia em prantos, tão grande era a saudade e avidez que tinha do alimento sagrado. Um dia, quando Geraldo contava cerca de oito anos, assistindo à missa na catedral, viu os fiéis aproximar-se da mesa santa da comunhão. Dominado do desejo de igual felicidade, levanta-se e, como que arrebatado por uma atração divina, chegou-se ao altar onde se ajoelhou ao lado dos outros para receber o pão
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dos anjos. O padre porém passou adiante, como se costuma fazer com as criancinhas, que, ignorantes, se colocam na mesa sagrada. Triste e banhado em lágrimas, voltou Geraldo para casa e, não podendo curtir sozinho a sua dor, narrou-a a diversas pessoas amigas e, entre outras, a uma tal Manoela Vetromile que o amava como filho e que procurou consolá-lo de sua aflição. Deus mesmo quis consolar o aflito meni-no. Na noite seguinte, viu Geraldo o arcanjo São Miguel por ele tão venerado, o qual lhe apresentou a sagrada partícula que o sacerdote lhe negara no dia anterior. Na manhã seguinte Geraldo narrou singela-mente o ocorrido à sua protetora Vetromile, exclamando com viva satisfação: “Ontem o padre me não quis dar a santa comunhão, esta noite o arcanjo São Miguel me alimentou com a sagrada hóstia”.
Aos dez anos pôde Geraldo, com o consentimento do seu confessor, fazer como de costume, a sua primeira comunhão na igreja. Esse dia foi para ele de suma alegria. O seu coração inocente, santificado pelas mortificações e inflamado do amor divino, recebeu a Jesus com as melhores disposições e por isso o Hóspede divino não só o enriqueceu da plenitude de suas graças mas também lhe deu a gozar toda a doçura do alimento espiritual. Após a santa comunhão viram o pequeno Geraldo imóvel como em êxtase, deliciando-se todos na visão de seu rosto trans-figurado durante todo o tempo da longa ação de graças. Desde então permitiu-lhe seu diretor espiritual receber a comunhão de dois em dois dias. Para melhor 
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se preparar para esse ato de piedade, costumava ele purificar-se no santo tribunal da penitência e, não querendo terminar a ação de graças sem algum sacrifício, flagelava-se, depois dela, com cordas no-dosas.







Mais ou menos na época de sua primeira comunhão coube ao santo um daqueles golpes, que embora comuns na vida humana, causam profunda dor, como se nunca fossem esperados. A morte levou a Domingos, pai de Geraldo, deixando a família em de-soladora situação. A viúva, constrangida a procurar algum emprego para o filho, afim de conseguir o pão para si e para os seus, colocou-o numa alfaiataria, onde devia aprender o ofício de seu pai e ser o esteio da família. Com isso esvaiu-se o sonho que acalentava a Geraldo, de fugir do meio do mundo e entrar em um convento, onde pudesse, desimpedidamente, entregar-se ao espírito que nele operava, porquanto não sentia gosto em levar vida afastada da casa de Deus. Obediente como era submeteu-se prontamente à vontade de sua mãe, na certeza de que Deus tudo disporia para o seu bem.
O procedimento do santo na oficina de Martinho Pannuto — assim se chamava o mestre — foi exemplar em todo sentido. Pannuto admirava o seu aprendiz e amava-o como um filho. Geraldo aprendia com facilidade, trabalhava com aplicação mostrando-se sempre dócil e atento. Nada porém perdeu de sua vida interior e recolhimento de espírito. Enquanto suas mãos manejavam a agulha, o seu espírito concentrava-se 
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em Deus e nas coisas divinas. Mais de uma vez deu-se o fato de ficar o trabalho parado e inter-rompido por causa dos seus arroubos celestiais. O mestre, muito piedoso, não levava a mal tais interrupções; ao contrário permitia-lhe toda a liberdade em seus exercícios de piedade, e regozijava-se em ter um santo por aprendiz. Em pouco tempo convenceu-se que pela aplicação redobrada de Geraldo ao trabalho, recuperava facilmente o tempo perdido por aquelas interrupções. Distinguia sempre a Geraldo que se mostrava pronto para o serviço e amigo da mortificação. Pannuto trabalhava muitas vezes até alta hora da noite, tendo sempre a seu lado, nessas ocasiões o fraco rapazinho, que quando o mestre abandonava a oficina, se acomodava sobre a terra nua nas noites que não podia voltar para casa. Geraldo não queria utilizar-se do leito reservado para essas eventualidades; quando Pannuto lhe chamava a a-tenção, respondia que para ele, aprendiz, melhor fi-cava o chão do que o leito.
Bem outros sentimentos do que Pannuto, nutria para com Geraldo, o sócio de seu mestre. Para esse homem cruel e malvado a piedade do Servo de Deus era como um espinho na garganta e despertava em seu coração amarga aversão e ódio. Qualquer parcela de tempo, que Geraldo empregava na oração ou passava na igreja, era para ele uma diminuição de trabalho e um crime; cobria-o de injúrias taxando-o de indolente. Não ficava porém só nisso: enfurecido muitas vezes dava-lhe bofetadas e pontapés. Geral-
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do suportava tudo com grande paciência e dizia consigo: “Meu Deus, meu Deus, faça-se a vossa vontade”, por vezes, sedento de sofrimentos, dizia ao tira-no: “Batei, batei mais, que tendes razão para isso!” Nunca lhe passou pela idéia um pensamento de queixa, embora o pudesse fazer livremente encontrando no mestre, que o estimava, um poderoso protetor; antes, pelo contrário, procurava ocultar-lhe to-dos esses acontecimentos desagradáveis. Sucedeu uma vez entrar Pannuto no momento em que o monstro o prostara por terra com seus maus tratos. O mestre exigiu esclarecimentos sobre o ocorrido e interpelou o sócio. Não podendo este justificar-se e contando com o silêncio do aprendiz, respondeu la-conicamente que Geraldo mesmo poderia dizer o que lhe acontecera. Interrogado pelo mestre, Geraldo, cujo coração era nobre e reto, disse singelamente: “Mestre, cai da mesa”. Desta forma falando a verdade, mas não a verdade completa, satisfez ao mestre e poupou ao criminoso. Tanta generosidade não bastou para enternecer o coração de seu inimigo. Continuaram as crueldades. Mostrando-se, um vez, Geral-do contente e sorridente com uma bofetada recebida do sócio da oficina, este com fúria satânica bateu-lhe fortemente com um metro de ferro que tinha na mão. Tão veemente foi a dor, que o santo quase perdeu os sentidos; lançou-se aos pés do seu perseguidor dizendo-lhe com toda calma: “Perdôo-lhe por amor de Jesus Cristo”, e continuou o trabalho como se nada sucedera. O sorriso de Geraldo nesse mau trato não
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era sinal de escárnio como poderia parecer, e como de fato supôs maldosamente o inimigo do rapaz. Era efeito de uma reflexão, rara em tais ocasiões, mas digna de um santo. O próprio Geraldo achou ocasião para dar disso a devida explicação. Ao voltar uma vez de sua igreja predileta de Capotignano, foi recebido pelo sócio da oficina com injúrias desumanas; calou-se e sorriu. O sorriso irritou ainda mais o monstro: “Tu te ris, disse, hás de me dar agora mesmo a razão do teu sorriso!” “Eu me rio — respondeu Geral-do — porque é a mão de Deus que me bate”.
Não se sabe quanto tempo duraram esses tormentos para o pobre aprendiz. Deus que queria pro-var o seu servo e prepará-lo para dons mais eleva-dos, fez cessar a seu tempo todos esses maus tratos. Pannuto, que bem conhecia o rancor de seu companheiro contra o aprendiz, sem todavia poder demiti-lo, chegou enfim a tomar essa resolução. Uma vez o mestre seguiu o nosso Geraldo até a igreja, para mais de perto observar o seu procedimento; esperava certamente edificar-se com o aprendiz, mas a realidade excedeu a sua expectativa e comoveu-o pro-fundamente. Depois de haver orado longo tempo, o rapaz prostrou-se por terra, beijou o pavimento da igreja e arrastando-se de joelhos passou a língua no chão até a proximidade do altar; lá reconcentrou-se em fervorosa oração até cair em êxtase e ficar imóvel, todo absorto em Deus. Comovido até as lágrimas, Pannuto voltou para casa com a convicção inabalável de que o seu aprendiz fruía os favores extra-
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ordinários do céu, e não consentiu mais ter em casa o homem cruel que só tratava o amigo de Deus com o desprezo que se consagra à escoria da humanidade.
A paciente resignação aos maus tratos do sócio da oficina, não foi o único exemplo de virtude heróica de Geraldo na casa de Pannuto. O filho deste, José Antônio, narrou, mais tarde, um outro episódio, em que a mansidão do santo rapaz se manifesta com não menor brilho e resplendor. Uma tarde, Geraldo se apressava da vinha de Pannuto, onde estivera trabalhando, para o santuário de Capotignano que não era muito distante. Ao regressar à cidade, tomou caminho através dos campos, indo parar infelizmente em uma sebe espinhosa, onde alguns passarinhos construíram seus ninhos. Um caçador de atalaia es-tava ansioso para lhes fazer fogo, quando as aves, assustadas pela chegada de Geraldo, levantaram o vôo. Indignado sai o caçador de seu esconderijo, avança contra Geraldo e dá-lhe uma tremenda bofeta-da. Embora geralmente a surpresa nesses casos faça os homens comuns perder a paciência e a mansidão, Geraldo permaneceu calmo; lembrado do conselho evangélico apresentou a outra face. O caçador enfurecido, que naquele momento não se lembrou do Evangelho, tomando aquele ato de humildade por um atrevido escárnio, enraiveceu-se ainda mais e continuou a torturar a sua vítima. Felizmente apareceu o filho de Pannuto e com explicações conseguiu tranqüilizar o caçador encolerizado. Este, reconhecendo
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o seu erro encheu-se de admiração pelo rapaz e tornou-se um dos mais zelos panegiristas do virtuoso aprendiz de alfaiate.



TRECHO RETIRADO DO :LIVRO - VIDA DE SÃO GERALDO MAJELLA


sábado, 2 de março de 2013

3. Carta de São Geraldo Majella à Madre Maria de Jesus




3. Carta à Madre Maria de Jesus (1)
Fevereiro/março de 1752
Assunto e contornos: Tannoia nos transmite esse fragmento de carta e nos assegura que ela estava endereçada à Madre Maria de Jesus; não especifica, porém, a data. Os acontecimentos de Ripacandida e a leitura paralela de outras cartas de Geraldo levou Domenico Capone a propor como mais provável os meses de fevereiro/março de 1752.22
"Me encontro cheio de pecados". Geraldo vivia profundamente as palavras de Cristo: "Sejam perfeitos como vosso Pai é perfeito" (Mt 5,48). Sentia-se, porém, profundamente solidário com os pecadores, perdendo, então, sua habitual jovialidade e revivendo neles o mistério da Paixão de Cristo.
Acho-me cheio de pecados! Peça a Deus que me perdoe! Todos se convertem e eu permaneço obstinado. (2)
Tenha paciência, discipline-se (3) por mim, a fim de que sua Divina Majestade me perdoe e me acolha; o mesmo peço a todas as suas filhas.
Estou cheio de aflições e não encontro quem acredite em mim. Deus assim o quer. Quer que eu morra sem compaixão, abandonado por todos!
Assim quero viver e morrer para dar gosto a Deus.
***
Observações:
1) Geraldo pertencia, na época, à comunidade Deliceto. A esta casa acorriam muitos sacerdotes e leigos para fazer retiro espiritual ou para confessar-se. Geraldo participava desse trabalho missionário. Procurava os pecadores e os ajudava, às vezes por meios extraordinários, a libertarem-se do pecado. Nisto, seu mestre era Jesus. Dele e Nele, Geraldo aprendia a pagar pessoalmente pelos pecados do próximo.

2) Geraldo tinha um profundo e íntimo conhecimento de Cristo na cruz, e, assim como Cristo tomou sobre si os pecados do mundo e se ofereceu ao Eterno Pai para pagar por eles, assim também Geraldo, em sua plena identificação com Cristo Crucificado, sentia realmente como seus os pecados do próximo e se oferecia a Deus em paga deles. Por isso diz: "Assim quero viver e morrer para dar gosto ao meu Deus". Como Cristo, cujo alimento era fazer a Vontade de Deus (Jo 4,34), assim também Geraldo queria em tudo, na vida e na morte, "dar gosto ao seu Deus", isto é, cumprir em tudo a divina Vontade, como ele repete freqüentemente em seus escritos. Foi nisto que ele se realizou.

3) "Disciplinar-se" era uma penitência bastante rude, muito usada sobretudo entre religiosos, imitando assim literalmente a flagelação de Cristo. Faziam-no em paga dos próprias pecados ou do próximo. Geraldo pede às monjas "se disciplinarem" em satisfação dos "pecados".

TRECHO DO LIVRO CARTAS DE SÃO GERALDO MAJELLA

ORAÇÃO Á SANTA LUZIA




Ó VIRGEM ADMIRÁVEL,CHEIA DE FIRMEZA E DE CONSTÂNCIA , QUE NEM AS POMPAS HUMANAS PUDERAM SEDUZIR,NEM AS PROMESSAS,NEM AMEAÇAS,NEM A FORÇA BRUTA PUDERAM ABALAR,PORQUE SOUBESTE SER O TEMPLO VIVO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO .O MUNDO CRISTÃO VOS PROCLAMOU ADVOGADA DA LUZ DOS NOSSOS OLHOS ,DEFENDEI-NOS POIS, DE ODA A MOLÉSTIA QUE POSSA PREJUDICAR A NOSSA VISTA ,ALCANÇAI-NOS A LUZ SOBRENATURAL  DA FÉ,ESPERANÇA E CARIDADE PARA QUE NOS DESAPEGUEMOS DAS COISAS MATERIAIS E TERRESTRES E TENHAMOS A FORÇA PARA VENCER O INIMIGO E ASSIM POSSAMOS CONTEMPLAR- VOS NA GLÓRIA CELESTE .AMÉM 

sexta-feira, 1 de março de 2013

2.Carta de São Geraldo Majella à Madre Maria de Jesus





2. Carta à Madre Maria de Jesus(1)

Deliceto, Santa Maria da Consolação, 22 de janeiro de 1752

Assunto e contornos: Na tentativa de incluir as monjas de Ripacandida a aceitar a mitigação das regras carmelitanas, Mons. Teodoro Basta, isolou o mosteiro, tornando difícil até a correspondência. À Madre Maria não sobrou outra forma de comunicação do que o "estar no lado sacratíssimo de Cristo". Geraldo sublinha a profunda realidade de tal comunicação e a convida a ler todos os acontecimentos, ainda aqueles que estão cheios de dificuldades, à luz da fé. Somente assim será possível

permanecer firme. Mas "alegremente", porque o sim à vontade de Deus leva a "engrandecer-nos" sempre mais.
Jesus + Maria!
Minha querida irmã em Jesus Cristo, foi verdadeiramente um consolo para mim sabê-la tão fortemente empenhada por mim junto ao seu divino Esposo, pela carta na qual me dizia que eu não tinha outra maneira de falar-me a sós senão dentro do seu lado sacratíssimo.
Imagina V. Revma. qual não foi minha satisfação ao ouvi-la falar com tanta suavidade. Por este motivo sinto desejo de confessar-lhe a minha verdade (2). Talvez lhe agrade, caríssima em Jesus Cristo.
Eu, embora indigno, não deixo de rezar ao Senhor por V. Revma. e por toda a comunidade, a fim de que sejam verdadeiras esposas e verdadeiras amantes do seu santíssimo querer. Quantas vezes me dirijo ao Senhor, em verdade lhe digo, tantas as contemplo dentro de seu lado sacratíssimo, oferecendo-me sempre ao sacratíssimo Coração, ferido por sua causa. E Deus sabe o sentimento que V. Revma. me causa vendo-a tão aflita. Não é bem uma aflição, entenda, mas inveja minha. (3)
Bendito seja sempre o Senhor que a mantém em tal estado para fazê-la uma grande santa. Vamos, pois, alegre-se e não tema! Seja forte e corajosa nas batalhas, a fim de conseguir depois um grande triunfo no reino dos céus.
Não nos assustemos senão pelo que o espírito maligno semeia em nossos corações, porque este é seu ofício. E nosso dever é não deixá-lo triunfar em seus intentos. Não lhe demos crédito porque não somos o que ele quer e diz. Isto não é senão para nos espantarmos e nos atemorizarmos e, deste modo, fazer-nos crer que ele é o vencedor em suas más obras.
É verdade que, às vezes, nos achamos fracos e confusos. Não confusão com Deus, não há fraqueza com o poder divino! Porque é certo que nas lutas a Divina Majestade nos ajuda com seu braço poderoso. Por isso, podemos ficar alegres e engrandecer-nos (aceitando) a vontade divina. E bendiremos as suas santíssimas obras por toda a eternidade. Assim, digo a V. Revma.: não se esqueça de mim em todas as suas santas orações. Assim eu peço, por amor de Jesus Cristo e de Maria Santíssima, a toda sua santa comunidade. E permaneçamos no lado sagrado de Jesus Cristo.
Santa Maria da Consolação, 22 de janeiro de 1752.
De V. Revma., indigm. servo e irmão em Cristo,
Geraldo Majela, do Santíssimo Redentor.
***
Observações:
1) Para se compreender esta carta é preciso saber que, como já foi dito, Ripacandida pertencia ao bispado de Melfi, cujo bispo, Dom Teodoro Basta, embora homem eminente, era bastante autoritário em suas decisões. Em 1746, autorizara as religiosas de Ripacandida a professar a Regra de Santa Teresa. Em abril de 1750, por ocasião de uma missão naquela cidade, Santo Afonso, fundador dos redentoristas, pregou-lhes o retiro espiritual e moderou prudentemente as austeridades excessivas que praticavam. Algum tempo depois, convidado pelo Bispo, entrou em cena um padre carmelita de Nápoles que propôs uma mitigação na observância da Regra de Santa Teresa; as monjas se opuseram a isso. O Bispo tomou, então, para si a direção imediata do mosteiro e deixou o padre carmelita agir. Não deu às irmãs um diretor espiritual que as orientasse na vida pessoal. Também os colóquios espirituais no locutório foram
proibidos ou, pelos menos, tornaram-se muito difíceis. Quem quisesse podia dirigir-se ao Bispo ou confessor nomeado. Dom Basta mandou examinar a vida interior de Madre Maria de Jesus e ela foi declarada "visionária". Temendo estar enganada, a pobre monja escreveu a Santo Afonso, expondo-lhe sua situação e a das outras religiosas do mosteiro. Fez isto sem a autorização do bispo que proibira às monjas escrever cartas, a não ser alguma absolutamente necessária, mas sempre sob o controle de um sacerdote nomeado ad hoc por ele.
A 27 de janeiro de 1752 - portanto cinco dias depois desta carta de São Geraldo - Santo Afonso respondia à Madre, tranqüilizando-a quanto à sua vida espiritual: "De minha parte, asseguro-lhe que Deus está com a senhora. Que quer mais? As suas coisas, sobre as quais me escreveu, considero em geral coisas de Deus". Quanto à falta de um diretor espiritual, escreve o santo Doutor na mesma carta: "Deus não existe? Como é que tantos se fizeram santos nas grutas, nos desertos, onde não tinham outros diretores senão os passarinhos e as árvores? Quando temos um diretor idôneo, e não queremos recorrer a ele, Deus não nos ajuda. Mas quando falta tal diretor (como falta, em geral, nos mosteiros de Nápoles e quanto sofrem muitas almas boas!) então Deus faz tudo. Deus não pode faltar a quem o procura de todo o coração. Consolo-me fazendo saber-me que V. Revma. e todas se abandonaram nos braços amorosos de Jesus, que, em verdade, se deixa encontrar por quem o quer".
A Madre tinha-lhe escrito sem a permissão do bispo; também quanto a isso, Santo Afonso a tranqüiliza, com sua autoridade de teólogo moralista: "Não tenha escrúpulo, nem agora nem depois, por haver-me escrito sem permissão. Basta que eu lhe diga isto, não ande procurando razões. Mas diga às suas irmãs e minhas irmãs que guardem segredo com todos, com o confessor e com o bispo". Embora grande
amigo de Dom Basta, Santo Afonso era mais amigo ainda da verdadeira paz e serenidade das consciências.

2) A "verdade" de São Geraldo era uma total identificação com Cristo crucificado, até suas últimas conseqüências: sofrimento e morte. Nisto via ele até que ponto vai o imenso amor de Deus pelos homens, a vontade salvífica de Deus. Conformar-se totalmente com a vontade de Deus nos sofrimentos e na morte em união com Jesus crucificado e morto, era, para Geraldo, a realidade da vida humana, realidade que leva à Ressurreição e à Vida. Por isso, seu grande segredo, a sua "verdade", era sua total identificação com Cristo crucificado.

3) A "inveja" de Geraldo é uma santa inveja, pois as tribulações e sofrimentos da Madre Maria de Jesus, unidos aos de Cristo, servirão para santificá-la. É o que ele diz logo em seguida, bendizendo a Deus "que mantém em tal estado para fazê-la uma grande santa". E a encoraja: "Vamos, pois, alegre-se e não tema! Seja forte e corajosa nos combates..." Mais adiante escreve: "Não há confusão em Deus, não há fraqueza com o poder divino! Pois é certo que nas lutas a divina majestade nos ajuda com seu braço divino".
Quem conhece a vida de Geraldo sabe quantas lutas ele teve que sustentar com o espírito maligno e com as forças que o apóiam. Falava por experiência própria e não por noções aprendidas em livros. Daí o magnífico final da carta: "Por isso podemos ficar alegres e engrandecer-nos cada vez mais na vontade de Deus. E bendiremos suas santíssimas obras por toda a eternidade". É nesse crescer em grandeza de sintonia com Deus que está a verdadeira dignidade do homem como pessoa.

TRECHO RETIRADO DO LIVRO CARTAS DE SÃO GERALDO MAJELLA
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